Por Joaquim Maria
Foi no ano de 1969 que
se deu uma das grandes enchentes na nossa região. União dos Palmares sofreu com o evento, mas o
município de São José da Laje foi totalmente inundado pelas águas do Rio
Canhoto, devido às fortes chuvas na cabeceira do rio, no estado de Pernambuco.
Foram mais de 1.200 mortos, pois a enchente pegou a população da nossa vizinha
cidade, desprevenida, por volta das 2 horas da manhã, causando a maior catástrofe
do interior alagoano naquela época.
Eu ainda criança, não
conseguia dimensionar o tamanho da tragédia. Tudo parecia muito confuso. Lembro
que o campo de futebol de União dos Palmares, na Rua Nova, abrigou alguns
helicópteros enviados pelo governo, trazendo mantimento para todos os
desalojados daquela região.
Na verdade, por falta
de entendimento, eu gostei de ver aquelas aeronaves bem de perto, no campo sem
grama e esburacado. Éramos proibidos de entrar e ficávamos olhando pelas
brechas do portão enferrujado, o desfile de soldados, provavelmente do exército
brasileiro, a transportar nos braços, as mercadorias que eram depositadas em
caminhões para serem levadas aos necessitados.
Na verdade, no portão
do estádio, era muito grande a multidão de curiosos que ficavam como eu,
observando os pousos e as decolagens dos helicópteros. Era umas libélulas
(ziguezigues) gigantes que transportavam
mercadorias e pessoas. Tudo muito bonito.
Só depois de alguns
anos, é que eu consegui entender o tormento passado pelos habitantes das áreas
ribeirinhas da nossa região.
Em 2010, mais uma vez,
fomos desabrigados pelas enchentes. A população ribeirinha de toda a região
sofreu com o volume e a velocidade das águas dos rios, Canhoto e Mundaú. Desta
vez todas as cidades que margeiam esses rios foram afetadas. A destruição foi
de grandes proporções, pois apesar de já ter se passado mais de três anos,
ainda sentimos em todos os setores, a “ressaca” econômica da enchente.
A maioria das pessoas
que tinham seus imóveis nas margens dos rios foram “alojadas” em casas
construídas pelo governo, distantes dos leitos; o que já é um alento; mas que para muitos, apesar do sofrimento,
ainda não conseguiram apagar da memória, os tempos bons que passaram à beira do
rio.
E eu, nunca esqueci
meus ziguezigues de metal, que transportaram os mantimentos para curar a fome e
as dores da alma.
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ResponderExcluirBom dia a todos.
Estamos finalizando a revisão dum romance biográfico que retrata a vida da cidade de Gustavo Paiva, a partir dos anos 1950, fruto duma série de entrevistas com Maria de F. Nogueira, uma ex-moradora nata daí que estudou e viveu grandes paixões. Dentre inúmeros assuntos, a enchente do rio Mundaú entra em pauta. A previsão para publicação é, no máximo, até janeiro de 2016.
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PREÂMBULO
NO FINAL DO VERÃO de 2012, cursava eu o segundo ano de Letras quando esta ideia literária calhou-me à pena. Os primeiros esboços, ululados ao fôlego duma lua, aguardaram reclusos, até que um novo ciclo lunar veio iluminar a textura do documento nos auges invernais de 2014.
Rita, precoce vidente alagoana com bases biográficas, acalenta a trama numa órbita inebriante, expondo-nos o magma emanando de sua Arca. Aos cenários que se deslumbram no efêmero seara secular, notar-se-ão contínuos câmbios nas culturas, fornidos por altívolos coadjuvantes e almenaros clangores às eflúvias tomadas... Que, por vezes, desenham um curta dramático, comovente, ou talvez parnaso às lentes dum diretor casto.
Aqui, aquém dum trabalho luso ou promissor aos albatrozes da academia, propõe-se o cerne da crítica à plataforma do espiritismo e da parapsicologia.
Reverentemente.
Koguen G.,
Inverno de 2015