ZUMBI
“REI DOS PALMARES”
Em 1655, Zumbi[1] nasceu livre em uma das
inúmeras povoações palmarinas, sendo capturado por uma expedição portuguesa
comandada por Brás da Rocha Cardoso e entregue ao missionário português Antônio
de Melo, vigário de Porto Calvo, quando tinha aproximadamente seis anos. Logo,
foi batizado, pelo vigário, com o nome de “Francisco”.
Enquanto viveu com o padre, Zumbi, na
época Francisco, recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim e ajudava
diariamente na celebração da missa. Mas, apesar das tentativas de torná-lo
“civilizado”, em 1670, escapou e retornou ao seu local de origem, o quilombo
dos Palmares, onde adotou o nome de Zumbi.
Quando chegou em Palmares, Zumbi foi
acolhido por Ganga-Zumba, então líder, e tornou-se conhecido pela sua destreza
e astúcia na luta. Com apenas 20 anos, em 1675, na luta contra os
soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se
grande guerreiro e organizador militar.
Em 1678, o Governador da Capitania de
Pernambuco, Ayres de Souza de Castro, cansado do longo conflito com Palmares,
se aproximou do líder do quilombo, Ganga-Zumba, com uma oferta de paz. Foi
oferecida a liberdade para todos os escravos nascidos no quilombo, além de
concessão de terras aos palmarinos em local em que pudessem viver e plantar,
se, porventura, eles se submetessem à autoridade da Coroa Portuguesa.
A proposta foi aceita por Ganga-Zumba, mas
Zumbi, que nesta época já era comandante-geral das tropas quilombolas, olhava
os portugueses com desconfiança e se recusou a aceitar a liberdade para algumas
pessoas do quilombo enquanto outros negros eram escravizados. Sendo assim,
rejeitou a proposta do Governador e desafiou a liderança de Ganga-Zumba.
Com a morte de Zumba, que foi
envenenado quando já se encontrava em terras doadas pelo Governo de Pernambuco,
Zumbi torna-se o novo líder do quilombo dos Palmares e promete continuar a
resistência contra a opressão portuguesa.
Em 1685, o próprio Rei de Portugal, D.
Pedro II – “O Pacífico”, escreve uma carta a Zumbi propondo perdão a todos os
negros do quilombo, desde que o comandante do quilombo e todo o seu povo
aceitassem a condição de fiéis e leais súditos.
Zumbi não responde a carta e os ataques
a Palmares prosseguem, inclusive por parte de uma expedição comandada pelo
também negro Henrique Dias que teve destaque nas lutas para expulsar os
holandeses do Nordeste brasileiro, mas os negros livres, heroicamente,
resistem.
Nomeado Governador da capitania de
Pernambuco, em 1693, Caetano de Mello e Castro, decide, então, exterminar os
negros de Palmares de qualquer de maneira. Este, contrata o bandeirante
Domingos Jorge Velho, para que, com sua tropa de índios e mamelucos, comandasse
o exército híbrido que deveria, de uma vez por todas, acabar com Palmares.
Na primeira investida, é obrigado a
recuar ante a reação dos negros. No segundo ataque a Macaco, em 29 de janeiro
1694, os quilombolas resistem mais uma vez, matando diversos soldados e
deixando centenas de feridos.
Porém, o terceiro ataque, em 06 de fevereiro de 1694, é mortífero. Com o reforço da tropa comandada por Bernardo Vieira de Melo, Domingos Jorge Velho consegue, enfim, arrasar Palmares.
Porém, o terceiro ataque, em 06 de fevereiro de 1694, é mortífero. Com o reforço da tropa comandada por Bernardo Vieira de Melo, Domingos Jorge Velho consegue, enfim, arrasar Palmares.
Mesmo ferido, Zumbi e dezenas de seus
homens conseguem escapar do ataque e se refugiam na floresta.
Antonio Soares, um dos principais
aliados de Zumbi, é capturado em Penedo e entregue ao Capitão Furtado de
Mendonça. Sob tortura, acaba falando onde é o esconderijo de Zumbi e aceita
guiar a tropa em troca de uma oferta de liberdade proposta em nome do
Governador.
O novo quilombo de Zumbi, naquela
ocasião, se situava na Serra Dois Irmãos, banhada pelo Rio Paraíba. Furtado de
Mendonça conhecia bem o local, onde no ano anterior Zumbi conseguira evitar
travar um combate com os paulistas. Porém, nesse dia, Zumbi estava acompanhado
apenas por seis guardas, tendo em vista que os outros combatentes tinham saído
para fazer um reconhecimento de rotina pelas redondezas.
Em 20 de novembro de 1695, a tropa de
Furtado de Mendonça aproxima-se prudentemente do quilombo. Uma vez estabelecido
o cerco, Antonio Soares se destaca do grupo e vai à direção de Zumbi e, sem
hesitar, o esfaqueia, dando o sinal para o ataque. Aproveitando-se da surpresa
provocada pelo seu gesto, Antonio Soares foge imediatamente. Zumbi, mesmo
ferido, luta bravamente, mata alguns soldados, mas cai, ferido mortalmente.
Zumbi foi baleado 15 (quinze) vezes,
teve seu pênis decepado, um dos olhos arrancados e a mão direita, também,
decepada, num claro sinal de medo e ódio que provocava às hordas de assassinos
dos senhores coloniais.
O corpo de Zumbi foi transportado até o
povoado de Porto Calvo, aonde foi apresentado à Câmara Municipal. Após ter seus
restos mortais reconhecidos por sobreviventes de Palmares, Zumbi teve sua
cabeça decapitada, salgada e exposta em praça pública no alto de um mastro na cidade
de Recife, por ordem do Governador de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro.
Essa teria sido uma forma de intimidar novas rebeliões negras e tranqüilizar os
senhores de escravos, visando ainda desmentir a crença da população sobre a
lenda da imortalidade de Zumbi.
Em 14 de março de 1696, o Governador de
Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, escreveu ao Rei, D. Pedro II – “O
Pacífico”: “Determinei que pusesse (a cabeça de Zumbi) em um pau no lugar mais
público desta Praça para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e
atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam-no imortal”.
Como você ficou sabendo através desse breve
resumo, Zumbi viveu apenas 40 anos, mas viveu o bastante para entrar para a
história e ser considerado o maior ícone da resistência negra ao escravismo em
nosso país. Tanto, que no ano de 1997, 302 anos após a sua morte, o seu nome
foi inscrito no Livro de Heróis da Pátria, instalado no Panteão da Liberdade
Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Fabricado em aço
escovado, até então o livro tinha apenas o nome do inconfidente Joaquim José da
Silva Xavier, o Tiradentes.
Seis anos depois, em 2003, através da Lei
nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no
currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática
"História e Cultura Afro-Brasileira, sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, a data de sua morte, 20 de novembro, foi incluída
no calendário escolar como o “Dia Nacional da Consciência Negra”.
No dia 11 de novembro de
2011, a Presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.519, que Institui o 20
de novembro como o “Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra”, decorrente
de um projeto da ex-senadora Serys Slhessarenko (PT/MT).
Comemorar o Dia Nacional da
Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa
memória essa figura histórica, mas não somente a imagem do líder, como também
sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 13 de
maio de 1888, através da Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353).
“Deus da Guerra”, “Fantasma
Imortal” ou “Morto Vivo”, seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu
significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente
unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo
e de sua luta por liberdade.
Fonte: A terra da Liberdade - Franco Maciel
[1] A palavra Zumbi, ou Zambi, vem do termo "nzumbe", do idioma africano quimbundo, e significa, fantasma, espectro e
alma de pessoa falecida.
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